terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Vertical,

Primeiro vem a baforada de vento no rosto, expressivo, na maioria. Vento frio, do norte, ou em rajadas mornas e suaves, como que arrancado do litoral caribenho. Quem sabe até, carregado de folhas secas do outono, que colam aos lábios antes que os mesmos se fechem pelos poucos segundos seguintes. Logo depois, o salto.


Nesse ponto é onde o chão parece abrir sob nossos pés, e afundamos sem pesar, pesando como elefantes. Como gosto das bolhas! Aquelas, subsequentes à nossa entrada na água, que passam ligeiras por nossa pele. São alguns poucos segundos, encantadores. Sim, sejamos poéticos!


Os pés tocam o chão, ou não. O corpo, não mais leve, retorna à superfície. Raios ultravioletas sem dó.Enche-se os pulmões de ar, como um recém-nascido que respira pela primeira vez. Torturante, quando a magia se perde. O calor vem com uma força surpreendente e nos sentimos aquecidos de novo. Os braços se movem, direito, esquerdo, direito, eaquerdo, direito, esquerdo, num esquema já conhecido e como se elaborado por generais para com suas tropas de batalha. Todo o corpo se move, perfeita sincronia. E o riso, mesmo que escondido entre lábios e dentes, é inevitável. Riso de satisfação. Riso de libertação. Riso.


Deixemos o ceticismo de lado. Não é somente um salto na água. É nosso momento de emancipação por alguns segundos, ouvindo o 'nada' e de olhos bem fechados, abaixo da tênue linha que separa um universo de outro, onde não somos líderes, somos, apenas, seres flutuantes que esquecem de tudo entre moléculas de H²O.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Chegamos à faculdade. Meu tio havia esquecido uns papéis dos quais precisaria, logo, tivera que ir pegar. Acompanhei-o. Ao entrarmos na sala, encontramos as estagiárias da CPD (vide Central de Processamento de dados) reunidas em semi-círculo, fisuradas em um livro que mostrava-se aberto acima da mesa, entre cafés e celulares. 'Boa tarde' foi distribuído como de costume, e então pude ver as letras em azul-turquesa que destacavam-se na capa:

- COMO MONTAR UMA ONG -

Os devidos comentários não foram feitos, surgiram resumidos em uma única pergunta:
- Montar uma ONG? Em prol de quais motivos?
- Ah professor, ONGs dão dinheiro, pelas arrecadações.
Risos ou rugas de decepção foram escondidos. Com essas palavras, exatamente essas, foi tecida a resposta da que parecia ser a chefe do grupo.

É natural do homem a força de vontade para lutar pelo que lhe interessa. Os Neandhertais lutavam pela caça, por viver cada dia entre seres que mediam o sextúplo de seus tamanhos. Lutas entre nações não faltaram. No mundo contemporâneo, os dinossauros são o próprio homem, com egos amaciados e uma fúria ensandecida. Não precisamos de espadas e escudos, e temos hoje a oportunidade de lutar por ideais abstratos. Fundar uma ONG, um orfanato, um escola à crianças carentes são resultantes da força de alguém. Mentes fortes. Conseguir chegar ao cargo de maior calão da empresa também. Popularizar-se mundo afora, idem. O que digo é que somos sonhadores por natureza, tá nos genes espiralados, tá à um palmo dos nossos olhos. Homem sonha, homem perde, homem ganha. Falemos de sonhos, não propriamente ditos, apenas, outra palavra para desejos e ambições. Por quê usá-la ? Porquê ninguém gosta de admitir que quer ter algo que só conseguirá esforçando-se e mesmo assim ainda corre o risco de falhar. Ao passo que sonhamos, temos medo. Medo que tal qual uma erva daninha consome pouco à pouco, domina. Reina, e no fundo do poço de nossas mentes e anseios não há uma mola.

Lutemos por tudo que, entre estímulos nervoços e negações, ainda mostra-se atraente. O imã para nossas cabeças metálicas. Mas convenhamos, lutar pelo rídiculo SUCKS. Tudo bem, tudo bem, o que me parece rídiculo pode ser o pote de ouro de alguém, porém, não é social esperar pela diminuição da potência de fábricas automobilísticas em Michigan quando isso move a econômia do estado. As ONG's são sim uma forma materializada dos ideais de uma parcela de pessoas, e praticamente, em suma, vão contra ideais econômicos do nosso mundinho atual, mas não é por isso que vamos sair defendendo as borboletas que são caçadas durante a primavera nos campos turcos. Apenas para exemplificação.

Lutemos, com riscos calculados de nossos devaneios. 5 garotas, elas eram. Mulheres, com olhar profundo que esconde um imenso poder. Olhar que imagino em Joana Dar'c. Contudo, após ouvir as palavras que proferiram, aquelas garotas se tornaram detentoras não de um olhar poderoso e vencedor, mas vago, sem razões que transpusessem as barreiras do racionalismo. Tornaram-se comuns demais, e convenhamos, nada é mais humilhante que ser uma sombra de pensamentos frustrados.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Teorias chico-freudianas,

Daquele jeito bem underground.

Pelas batidinhas de piano (que chego a considerar techno, uma vez ou outra) dá pra reconhecer uma música de Coldplay. Ou pelos solos de harmônica que já consolidaram-se como marca registrada das (belas, deveras belas!) canções de Engenheiros do Hawaii. É o jeito singular que cada um possui, define para si. Conseguir sair do anonimato, ter um mínimo de reconhecimento depende de encontrar e tornar marcante essa peculiaridade.

Não é algo que possa ser forçado, um sorriso amarelado, o elogio luxuoso, pois o modo de cantar, fotografar..ou seja lá o que pretendemos fazer já está incrustado em nossas mentes, logo, flui naturalmente. E nem é algo que possa deve ser enquadrado em padrões. Direcionando o foco para a escrita, lendo umas duas ou três obras de alguém já mostra-se suficiente para identificar um 'estilo' característico, seja por uma palavra empregada periodicamente ou um uso expressivo (e demasiado) de metáforas. Sou um eterno fã enamorado de metáforas. Presto deveras atenção nisso, é como meu passatempo inserido dentro do passatempo da leitura.

Individualidade, essa é a questão. Chovem escritores, bandas, atletas. Um toque do seu diferencial é o que realmente conta. Não adianta ser só mais um na grande massa, e quando digo 'grande massa' me refiro à uma grande parcela da população que vive no mundinho mono. Monocromático. Monoesteticista. Monoestilístico. Iguais, e isso basta.

Um toque de personalidade. É isso que falta. Mas, defina personalidade. Já virou palavra estereotipada hoje. Ter personalidade, desde quando relembro meus conhecimentos sobre essa palavra, remota à estilos musicais, moda.. artes ? Por qual razão um conceito que pode dizer tanto sobre uma pessoa acaba por ser definidio por.. gostos ? Como dizer que alguém tem personalidade sem taxá-lo com algo banalizado ? É obreigatório isso ? Tem contrado assinado ? Recebe-se em euros ?

Personas, personalidade é diferente de estilo. Dessa mistura conceitual é que descende o problema. Sem olhar ao dicionário, acredito que personalidade possa ter relação com caráter, já que os princípios do ser podem influenciar um pouco mais que saber se o mesmo ouve bandas indies ou curte cinema europeu.

'Seria mais fácil, fazer como todo mundo faz
Caminho mais curto, produto que rende mais
[...]
Mas nós, dançamos no silêncio

Choramos no carnaval
Não vemos graça nas gracinhas da TV
morremos de rir no horário eleitoral'


Outras Frequências - Engenheiros do Hawaii

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

no vacancy !

Nossos corações, ou uma parte de nossas mentes ainda não explorada pela ciência que exala uma necessidade de atenção (use o termo que preferir, o primeiro está banalizado, e o segundo é perjorativo), bem, são como um amplo cômodo. Inicialmente vazio, um grande espaço vago e desprovido de detalhes.

Caso você tenha somente um alguém que lhe dá taquicardia, um único romance, o cômodo será totalitariamente ocupado por esse. Quando for comprar uma poltrona, procurará a que mais se adequa ao gosto do hóspede. Procurará também aquela cortina que combina. Caso não seja do gosto do mesmo verde-musgo, então não será verde-musgo. Como só há uma pessoa em todo o local, será necessário uma maior atenção e cuidado para uma convivência pacífica e saudável, pro bem-estar da relação. Ora, nenhum dono quer seus domínios sujos,mal-cuidados, deixados de lado.

Entretando, como tantos outros cômodos de casas, apartamentos, casebres, pode ser dividido. Isso seria quando você sente aquele encanto inevitável por mais de um 'certo alguém'. Nesse caso, os lugares são de menor porte, logo, podem ser bem valorizados com menos atenção e esmeros. Cuidados racionalizados. Os hóspedes desse tipo preferem assim. Corações turistas, aquele que viaja de hospedagem em hospedagem com frequência. Nômades. Acomodados.

Acima da porta de entrada da minha estalagem tem uma plaquinha escrita 'Não há vagas'. Não é que esteja ocupado, é só que o quero vazio por uns tempos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Click. Qual o mistério por trás das imagens em uma foto preto-e-branco? Fotografar encanta tantos, provavelmente deve ser um dos hobbies mais comuns(eu especialmente ainda prefiro escrever, talvez para desfarçar minha falta de aptidão para enquadrar uma simples paisagem). O verdadeiro sentido de tantos flashs seria congelar momentos de êxtase que não bastam somente estarem confinados em nossas mentes e eternizar rostinhos bonitos de modelos com belezas padronizadas, inflando seus egos à ponto de ocuparem todo um cômodo(e um artigo de seis páginas em uma revista) e destruindo a auto-estima de outros 10.000.


O que ocorre nas fotos preto-e-branco é uma demonstração mais expressiva das sensações passadas na foto. Talvez a ausência de detalhes multi-coloridos direicone o foco para o setimento que tenta recriar o momento original fugindo do papel fotográfico retangular. As imagens mostram-se mais fiéis ao centésimo de segundo. Intensificam a autenticidade sem um ar de hipocresia.



Em um digno entretanto, todas as fotos tem a capacidade de mentir, desde as polaróides. Felicidade instantânea no momento de um flash. Sorrisos amarelados, olhares estáticos longes da realidade, para fazer bem ao ego. Digamos, é de praxe, aceitável. A manchete de um jogo do nosso time que por trás do ar eufórico dos torcedores esconde um furacão de ira e violência que acaba por surgir entre bandeiras ao vento, vitórias e derrotas.






Vestir camisa verde e amarela na copa do mundo pra se vangloriar. Durante os quatro anos seguintes, deixa usar a camisa manchada de violência e os ternos da impunidade.


Eu gosto de fotos preto-e-branco. Também gosto das coloridas. Gosto das pessoas e dos momentos de cumplicidade ao redor de um bolo de aniversário. Click.

pôr-do-sol em preto-e-branco. utopia de cachorro.

domingo, 13 de janeiro de 2008

tramas do sucesso,mundo particular

eu nunca fui de me identificar muito com músicas. havia uma atração pelas letras, claro, mas não me visualizava nas mesmas, não conseguia me encaixar ou achar que algo combinava com meus sentimentos. não sei como tal mudança ocorreu, mas o fato é que devido à um emaranhado de confusões amorosas que acabei sendo protagonista, acabei me afeiçoando à um punhado de músicas.

alguma área em minha massa cinzenta deve ter sido ativada pelo coquetel de palavras e notas musicais que soavam e se misturavam com algumas idéias insanas de um eterno romântico. minha mente inundada por dramas, conquistas e corações partidos de personagens fictícios que vivem aventuras e mais aventuras em cada sílaba, cada verso cantado. as canções servem como uma terapia. algumas vezes podem servir de consolo, uma ajuda tal qual um porto-seguro. outras, podem torturá-lo até os ossos.

e aqueles que são personagens principais de suas histórias e meros figurantes das nossas, o que dizia que Ana Júlia estava com um alguém sem carinho, o que com suas flores fez com que sua amada encontrasse um outro alguém que lhe roubou o seu amor, ou aquele que sinceramente admitiu que da amada só esperava beijos sem paixão, apertos de mão, apenas bons amigos, bem, esses imortalizam-se em nossas mentes e servem de ombro amigo nessas madrugadas com o coração na mão.

sábado, 12 de janeiro de 2008

visão periférica sentimental,

quando se é criança, digo, pela idade mental e de amadurecimento (haha!), tem muita coisa que a gente diz e acha que não vai mudar. coisas que dizemos não entender, que não vamos fazer assim como os 'adultos', somente por quê NÃO entendemos e vivenciamos nada daquilo, e isso gera uma idéia de individualidade até.

'por quê esses caras se estressam tanto com a demora das mulheres pra se arrumar ? por quê dizem que um relacionamento duradouro é tão complicado de se ter ? por quê diabos a palavra compromisso assusta tanto ?' é inevitável não rir agora, pois EU MESMO fazia todos esses questionamentos, EU não entendia, e hoje, compreendo-os CLARAMENTE. esses e tantos outros.

não sei como os filhos aguentam esperar pelas mães cada vez que precisam sair (quem sabe é por isso que eu sempre quis ser tão independente). talvez as crianças tenham uma leveza e um ar de despreocupação que deixa tudo 'no stress', do contrário, ficariam visivelmente irritadas exatamente como fico. nos relacionamentos tudo se explica comuma boa dose de experiência própria e um punhado de filmes e livros. acho que palavras como 'sempre' não deveriam em hipótese alguma serem usadas durante a adolescência, por quê sim,elas são hipócritas. são palavras,e só. pode até ser bonitinho e ajudar no romance, mas são fakes ;D .todos parecemos dizê-las, e não devemos nos culpar por isso. com o tempo,elas se tornarão verdadeiras...

li que não devemos dar tanta importância aos nossos 'amores' na adolescência, pois é hora de experimentar e se arriscar, pra não errar quando aulto (sim,foi em um livro de auto-ajuda). não é falta de um ar sentimental, romântico até sou, mas toda essa citação sobre namoros adolescentes não foi dita erroneamente. por mais que gostemos de alguém, e até achar que aquilo pode durar, taaaaantas vezes vai ser apenas um namoro adolescente, servindo pra você lembrá-lo quando adulto na piada feita antes da cerimônia de casamento.

sim,todos nós vamos nos tornar portadores dos mesmos hábitos que achávamos estranhos (provavelmente). crescer e descobrir seues própios fantasmas do passado, ter os própios monstros ibnteriores. e um dia, como você deve ter visto no aniversário de seus bisavós, vamos rir de tudo isso.

DOOON'T WORRY, BE HAPPY !

ps: na verdade, o mundo adulto sempre me encantou mais. não era daqueles que ansiavam por ser 'criança pra sempre'. é tudo sobre autonômia...